8 de outubro de 2017

Fraude

És uma fraude.
Quem é que estás a tentar enganar? Tu não consegues.
Estás a ver o que ela faz? Alguma vez podias fazer o mesmo?
As pessoas elogiam-te apenas porque não te conhecem bem. Mais cedo ou mais tarde vão perceber que não és merecedora dos seus elogios.
Só fazes merda.
Não vale a pena, vais acabar por fracassar, como sempre.
Vais desiludir toda a gente, ou pior, vais prejudicar as pessoas.
Tu não és capaz.

Tenho esta vozinha irritante na minha cabeça desde que me lembro. Há dias em que fala baixinho, a medo. Outros dias grita tão alto que quase não consigo ouvir mais nada.

Sempre que penso fazer algo novo, algo de que gosto mesmo, que acredito que pode resultar, que me fará feliz, a voz começa a elevar-se. Nos dias bons, em que me sinto bem, confiante nas minhas capacidades e na minha vontade, consigo abafá-la e já tenho iniciado projectos assim, aproveitando que ela está distraída.

Mas é preciso muito pouco para ela ganhar força. Se estou cansada. Se tenho muito que fazer. Se estou decepcionada com algo que fiz. Se algo correu mal e não consegui encontrar razões válidas ou não me consegui perdoar a tempo. Se alguém me trata mal, me desrespeita, me tira valor.

Nessas alturas ela ruge. É ensurdecedora. É de tal maneira forte que me incapacita. Por fora, posso estar funcional, mas estou em piloto-automático, escondida num cantinho da minha mente, enrolada em posição fetal.

Devo dizer que não acontece sempre (felizmente) e até me sinto muito orgulhosa de tudo o que tenho conseguido fazer na vida. Sou mais forte do que a voz me quer fazer acreditar. Mais talentosa, mais corajosa, mais capaz. Sei disso, eu conheço as minhas capacidades e os meus defeitos. Hoje sei o que valho, e que não é de modo nenhum pouca coisa.

Mas nem sempre foi assim. Durante muito tempo, senti que o valor que me davam baseava-se no meu bom comportamento e nas minhas boas notas. "A Sónia é tão boa aluna, tão inteligente. E porta-se tão bem!" Sim, eu era uma boa menina, estava bem amestrada. Era esse o meu valor.

Não que eu me esforçasse por ter boas notas. Simplesmente ouvia, lia, queria aprender e pronto. Aprendia. Até cerca do 10º ano não precisei de estudar. O que me fazia sentir uma fraude. As minhas notas não eram fruto do meu trabalho, apenas da sorte. Tinha sorte em aprender depressa, só isso. Que valor tinha isso? Eu não o podia controlar. E se um dia eu não soubesse uma resposta? Se tivesse uma negativa? Se o meu valor estava nas minhas notas, deixaria de ter valor. Deixariam de gostar de mim?

Chegou essa altura, e o mundo ruiu por um tempo. Tive de recolocar as peças todas no sítio outra vez, mas já não era a mesma coisa. E senti que já não confiavam em mim como dantes, como se eu tivesse faltado a uma promessa.

Já passou bastante tempo desde essa altura. Já passei por várias experiências, já cresci, já me reconstruí, já me melhorei, já me tornei uma versão mais ao meu gosto, em vez do gosto dos outros. Aprendi a gostar de mim pelo que eu sou, com as minhas falhas. Aprendi a perdoar-me pelas vezes que falhei.

Mas a voz, mesmo abafada, continua comigo e penso que estará comigo sempre. E com ela vem o medo. De ser descoberta. De perceberem que sou uma fraude. De falhar com as pessoas que confiam em mim e me amam, de perder o seu amor e a sua confiança. Porque por fora até posso parecer confiante. Mas por dentro avanço a medo, com medo. Passo a vida a fazer as coisas um bocado às apalpadelas. Sei lá eu o que estou a fazer, estão malucos? Eu não percebo nada disto!

Mas sabem? Avanço à mesma. Devagar, às vezes, com mais confiança, outras vezes, e sim, por vezes às cegas. E até volto atrás, de vez em quando, e dou-me um tempo para esperar que a voz se canse um bocado, e a poeira assente para poder ver de novo.

Por isso, se algum dia notarem que pareço bloqueada, ou mais lenta que o habitual, ou triste, dêem-me um desconto: pode ser que o barulho cá dentro não me deixe ouvir como deve ser. Sejam gentis. Dêem-me um tempo. Esperem que eu volto já.


1 de outubro de 2017

E votar, não?

Sempre acompanhei os meus pais às mesas de voto em dias de eleições. Desde pequena aprendi o que era um cartão de eleitor, um boletim de voto, como se dobra. Aprendi que o voto é secreto e porquê, que é um dever e um direito. Mais tarde aprendi que é um direito conseguido a muito custo. Por isso, a primeira coisa que quis fazer, assim que fiz 18 anos, foi recensear-me na Junta de Freguesia.
Por essa mesma razão sempre levei os miúdos comigo a votar, desde bebés.
Hoje, e porque as nossas mesas de voto eram em locais diferentes, eu e o pai separámo-nos. Ele levou o Xavier, eu fiquei com as miúdas. Pelo caminho contei à Júlia a importância especial de nós mulheres votarmos. Contei-lhe a história de Carolina Beatriz Ângelo, a primeira mulher a votar em Portugal. Que depois dela passaram-se 63 anos até que todas as mulheres pudessem votar. Tempo demais, na opinião da minha filha.
Chegadas à mesa de voto, foi a Júlia que entregou os meus documentos. Veio comigo para a cabina de voto, expliquei-lhe como se fazia, pedi-lhe segredo e foi ela que colocou, orgulhosamente, os boletins na urna. À volta, ainda me fez uma data de perguntas sobre o processo eleitoral.
Querem saber como combater a abstenção? Dar o exemplo é capaz de ajudar. O dia está bom. Que tal um passeio com os miúdos até à vossa mesa de voto?


31 de agosto de 2017

Dias como estes

Estou cansada. Mesmo cansada. Tem sido um looooongo verão, com os três miúdos em casa, um calor que não se aguenta, o que dificulta sair à rua (ou a qualquer lado) e (n)os torna rabujentos.
Há dias em que só me apetece arrancar os cabelos, bater com a cabeça nas paredes ou sair porta fora. Há dias em que ninguém me ouve. Falo com jeito: nada. Falo mais alto: népia. Dou um grito: nope, nem olham para mim. Só consigo uma resposta com uma palmada no rabo, caraças! Desligo a televisão e começam a implicar uns com os outros, ou a fazer o sofá de trampolim, a atirar as coisas para o chão, a gritar, a chorar... Todo o dia é "mãemãemãemãemãe", "o que é o almoço?", "tenho fome!", "posso comer uma bolacha?", "áua, áua!!!", "buáááááááá´". Todo o dia tenho mãos em cima de mim, corpos, pés, sou bar, colchão, trampolim, sofá.
Limpo alguma coisa e imediatamente fica suja. Arrumo algo e é logo desarrumado. Digo que não 1586 vezes e continuam a tentar, a pedir, a puxar....
Chego ao fim do dia e já estou vazia. A minha vida é dar tudo, não consigo guardar nada para mim, não tenho um minuto para mim. Chega a um ponto e já não há mais nada de bom para sair, só porcaria.
E quando desabafo? "Tens de ter paciência!", "Eles ainda são pequeninos", "Tens de sair um bocadinho", "Estás a fazer isto mal"... Como se já não me sentisse culpada suficiente por não lhes dar a atenção de que precisam, de não ter a paciência necessária, por lhes gritar tanto... Claro que a culpa é minha, eu sou a mãe, não é?
Tenho um hobby, mas não tenho tempo para ele, ou se tenho tempo, estou tão ansiosa e cansada que não consigo fazer nada.

Tenho saudades de quando eu era só a Pisco. Quando podia ser eu, sem julgamentos, sem medos, sem culpas. Quando ninguém dependia de mim, quando o que eu fazia só tinha consequências para mim.


Mas continuo aqui. Ainda não saí porta fora, não arranquei os cabelos, bati com a cabeça nas paredes ou atirei alguém pela janela. Porquê?
Porque sei que vai passar. Porque hoje abri o Facebook e vi o post da Tova e percebi que também ela se sente assim às vezes. Que, apesar de me ter sentido tão só ontem à noite quando fui chorar para a casa de banho, não sou a única a passar por isto. Que isto pode ser uma grande merda, mas ao mesmo tempo amamos os nossos filhos e não trocaríamos esta vida por nada. Porque é preciso desabafar para deitar tudo cá para fora e também para lembrar outras mães que não estão sozinhas.

Agora: se leste este desabafo até aqui, parabéns!
- se és mãe: estás a fazer um óptimo trabalho, vai ficar tudo bem, não tens culpa, és uma mãe maravilhosa (come um chocolate);
- se és o(a) companheiro(a) de uma mãe: diz-lhe que a amas, que ela é linda, uma excelente mãe, que a culpa não é dela, dá-lhe mimo (sem segundas intenções - a não ser que ela queira), fica com os miúdos e faz o jantar enquanto ela relaxa (quando puder) (dá-lhe chocolate)
- se conheces uma mãe: diz-lhe que é uma óptima mãe, que os miúdos estão muito bem, que a culpa não é dela, que está a fazer tudo bem, leva-a a tomar um café (ela bem precisa) para pôr a calhandrice em dia (comam chocolate).



10 de agosto de 2017

As fraldas da Caganita

Ora então, à terceira é que acordei para a vida e resolvi usar fraldas reutilizáveis.
E perguntam vocês: porquê?
Essencialmente porque me chateia todo o lixo que usar fraldas descartáveis produz. A sério, um saco de lixo cheio todos os dias. Mais as toalhitas. E os pacotes...

Vai-se a ver e usar fraldas de pano não é assim um bicho de sete cabeças como muita gente pensa. Simplesmente são fraldas, em tecido, que quando estão sujas se lavam e voltam a usar. Como a roupa.

Não me vou alongar aqui sobre os tipos de fraldas reutilizáveis que existem (e existem vários tipos de sistemas). Para isso deixo uma lista de links no fim deste post para se informarem melhor. Vou simplesmente falar da minha experiência de 17 meses.

Primeiro: aderi a grupos no Facebook de mães que utilizam as fraldas reutilizáveis. Fez toda a diferença. Ao princípio lia apenas as discussões e ia tirando as minhas dúvidas, caladinha no meu canto. Depois, já grávida, fui comprando aos poucos, algumas fraldas de cada tipo.

A minha mãe, entretanto, e como de costume, entusiasmou-se e comprou-me um carregamento de musselinas. O que vale é que eram das melhores, grossas e bem absorventes, que foram as mais usadas na fase de recém-nascido em que a Nocas tinha pernocas fininhas e depois quando ficou uma badochinha. Para essa fase tinha também algumas fraldas ajustadas modelo Lua, da Mita, que cedo tive de reforçar que a garota fazia imenso chichi. As capas que tinha revelaram-se um pouco grandes, apesar de eficientes, mas com mais uma compra ou outra logo ajustei o stock. Para saídas usava as fraldas Teenyfit, da Totsbots. São Tudo em Um (AIO), pelo que se revelaram as mais práticas para consultas e afins, em que queremos fazer tudo muito rápido. Este tipo de fralda, bem como as de bolso, são as mais parecidas com as fraldas descartáveis.

A primeira fralda, com uma semana (Teenyfit). Muito mal ajustada, com a ajuda das mães do Facebook logo aprendi a ajustar melhor.


Com uma musselina e um mês de idade (as pernocas já estavam a encher)

Uma capa Rumparooz RN com uma semana e com dois meses de idade.

Para as noites usei descartáveis nos primeiros dois meses, apesar de ter muitas fugas, especialmente aqueles cocós. Uma ajustada com capa teria dado menos trabalho a colocar do que ter de mudar a roupa toda. Ah well, ficam já avisadas.

À medida que a miúda ia crescendo fui passando para os tamanhos a seguir e os tamanhos únicos (TU), que já lhe começavam a assentar bem. Nessa altura já tinha percebido os tipos de fraldas que mais gostava e as marcas preferidas. Passei a usar ajustadas TU da Totsbots (as Bamboozle T2) com capas da mesma marca (Flexiwrap, que já não se fabricam, e as Peenut) para sestas e noites. Mas como a miúda é o que se chama uma ganda mijona, tenho de reforçar as fraldas para a noite (com absorventes de bambú e cânhamo). Parece muito, mas aguenta toda a noite.

Uma Bamboozle quando tinha dois meses e meio


A Bamboozle com um ano


Uma capa Peenut por cima de uma musselina, com 6 meses de idade

Continuei a usar as musselinas com capa, mas comecei a ter de reforçar a absorção (mijona) e comecei a ganhar o gosto às AIO TU da Totsbots, as Easyfit, na sua versão mais recente, as Star. É indecente eles terem padrões tão fofos, uma pessoa não lhes resiste. Agora as musselinas estão guardadas, como reserva para o Inverno, em que se molham mais fraldas.

Easyfit com dois meses e meio

Easyfit com 14 meses


Easyfit, no outro dia na piscina

Por falar em piscina, também há fraldas reutilizáveis para a piscina ;)

Não uso cremes de muda de fralda (já com as descartáveis não usava). Mudar frequentemente (quando está suja) evita assaduras. Também não é preciso andarem sempre a limpar, se tiver só chichi não vale a pena, a pele agradece. Quando há pele vermelha, ou mesmo assadura, uso pasta de água. Dissolve-se na água, não se agarra às fraldas como outros cremes, e é bastante eficiente. Usei tanto que tenho metade duma bisnaga há 17 meses e já deve estar a chegar ao fim do prazo de validade.

O que não gostei: fraldas de bolso. Chateia-me ter de colocar o absorvente no bolso, o que é parvo, porque as easyfit também têm um bolso para onde enfio parte do absorvente e dessas eu gosto. Eu devo ter um problema qualquer... Avançando, experimentei também fraldas de atilhos, mas não me ajeitei e não conseguia um bom ajuste. As fraldas da Mita, apesar de terem uma boa absorção para o dia, marcavam as pernas da Nocas e desfiz-me delas. Aliás, desfiz-me de tudo o que já não servia ou não usava, e consegui assim ter um bom retorno do investimento.

Acessórios: tenho as toalhitas que fiz (espreitem aqui), um saco de PUL para saídas, um balde grande que por cá andava há muito tempo. Uso toalhitas descartáveis nas saídas, mas como nem sempre limpo quando mudo a fralda, o pacote que está a uso comprei-o em Setembro do ano passado. Tenho liners de polar, reutilizáveis, que uso porque os cocós ainda saem muito pastosos e com os liners é mais fácil sacudir para a sanita.

Lavagem: as fraldas com chichi vão directamente para o balde, as que têm cocó, sacudo o maior na sanita e depois no lavatório tiro o resto. Espremo a fralda, apenas manchada de cocó, e vai para o balde. (Atenção, quando os miúdos estão a ser amamentados em exclusivo não precisam de tirar cocós, aquilo sai tudo na máquina. Quando começam a alimentação complementar é que já precisam de tirar cocós.) A cada dois dias, mando tudo para dentro da máquina de lavar, faço um ciclo rápido à moda de pré-lavagem, a frio, sem detergente e com centrifugação. Isto vai remover os resíduos de cocó e os chichis. Em seguida, coloco mais roupa na máquina  (da miúda, dos irmão, nossa, o que precisar de ser bem lavado) até perfazer cerca de 3/4 da capacidade da máquina e lavo tudo num ciclo longo, de 40 ou 60ºC, conforme o estado das fraldas e da roupa. No Verão uso um pouco de amaciador (pouquinho) porque senão, ao secar, fica tudo seco que nem bacalhau. A secagem é no estendal, com sol, que elimina qualquer mancha que não tenha saído na lavagem.

É difícil? Nope. É só mais um par de máquinas de roupa por semana.

Assim, resumindo, e porque cada bebé e mãe/pai são diferentes dos outros, o conselho, o mesmo que me deram, é o seguinte:
- informem-se primeiro, perguntem a quem tem experiência, pesquisem;
- comprar um pouco de cada para experimentar o que assenta melhor e o que mais gostam;
- comprar usado, que fica muito mais barato;
- vender o que não gostam/não usam (o pessoal agradece);
- quando souberem o que gostam e o que precisam já vale a pena comprar maior quantidade e novo, se preferirem;
- aproveitem promoções, produtos de segunda qualidade, juntem-se em encomendas maiores para pouparem portes;
-simplifiquem, a vida com os miúdos já é complicada, não acrescentem complicação a isso.

Resumindo, a experiência tem sido bastante positiva, tenho pena de não ter usado disto com os mais velhos, mas olha, vivendo e aprendendo.


Links úteis:
Tipos de fraldas  http://www.eumae.pt/pt/post/filhos/mae.bio.logica.tipo.fraldas.reutilizaveis
Acessórios  http://www.eumae.pt/pt/post/filhos/mae.bio.logica.acessorios.fraldas.reutilizaveis
Grupo no Facebook - https://www.facebook.com/groups/fraldasretilizaveis.pt/
Grupos de compra e venda - https://www.facebook.com/groups/compraevendafraldasreutilizaveis/
                                              https://www.facebook.com/groups/743210429165086/

9 de agosto de 2017

Banda sonora de qualidade

Chamam-lhe Kipper. Kipper o cão...

Sabes que andas a ver demasiados desenhos animados quando o genérico do Kipper começa e realmente sentes prazer a cantar a canção. Do Kipper, o cão.

 
E esperas que seja esta a canção que te vai ficar a tocar em repeat o dia todo, e não uma da Xana Toc Toc.

8 de agosto de 2017

E o que é que tu tens a ver com isso?!

Termina hoje mais uma Semana Mundial do Aleitamento Materno. Ontem fui ao encontro cá de Castelo Branco, onde falámos, para além da amamentação, do tema deste ano: o respeito pelas experiências individuais.

Vou ser sincera: não sou santa nenhuma. Julgo tanto as outras pessoas como qualquer outra. Sim, baseio-me nos meus valores e experiências de vida e avalio as decisões das outras pessoas. Mas com o tempo e a experiência de maternidade (que me obriga a engolir muita treta que já disse) tento não actuar e falar com base nesses julgamentos.

Eu sei que este tema não é novo na blogosfera, mas olhem, também me apetece deixar aqui as minhas ideias. O tema é a amamentação, mas na verdade pode aplicar-se a toda a maternidade, ou à vida em geral.

Vemos por esta web fora textos, posts de blogues, legendas de fotos e afins a criticar as mães. Porque não dão de mamar; porque não quiseram ter trabalho, não aguentaram umas dorzitas; porque são umas egoístas, não querem o melhor para os filhos... e vem a legião de seguidoras, a dizer que se esfole: nem se pode chamar mãe!, há gente que não merecia ter filhos!, deveriam ser proibidas de ter filhos!!

Chiça....

Então mas espera lá, diriam vocês, tu que estás na terceira criança a amamentar, que és acérrima defensora da amamentação, como podes defender estas péssimas mães?!

Há várias razões:

- quando acabas de parir, ainda com o pipi a latejar, a perder sangue, a tremer descontroladamente, cheia de sede, a sentires que acabaste de correr uma maratona, o que é que acontece? O bebé vai mamar. Assim, de chapa, caga para tudo, dormes depois: o bebé vai mamar. É lindo? É. Mas também é uma enorme violência. Graças pelas hormonas que fazem tudo enevoado e pareces pedrada com tanta oxitocina.

- quando dás de mamar, nos primeiros dois ou três dias, tens as dores tortas. No primeiro filho podem ser só uma moínha, mas nos seguintes pode doer como o raio. A sério, são contracções. É natural, é benéfico, mas dói como o caraças e não é o paracetamol que te oferecem que te vai tirar aquelas dores.

- vais para casa e só queres dormir, que na maternidade ninguém dorme, e lá está aquela criaturinha a chamar a cada duas horas. Às quatro da manhã, pela segunda vez nessa noite (e não vai ser a última), lutas para sair da cama (ainda dorida, lembram-se, e a ciática da gravidez ainda não passou completamente), tropeças a caminho do berço e quase choras a pensar no que é que foste fazer, as noites vão ser assim nos próximos meses.

- tens as mamas inchadas, os mamilos doridos e provavelmente gretados, e até uma pontinha de febre, é tudo novo, mesmo que não seja o primeiro filho, e toda a gente que te vai visitar mete o bedelho.

- não tens tempo para ti: se aproveitas para dormir, não tomas um duche; se tomas um duche, já não comes. Não podes sair por muito tempo porque o bebé vai acordar com fome assim que saíres de casa. O teu corpo deixou de ser teu quando engravidaste e continua a ser propriedade desse mini-humano que só quer estar pendurado nas tuas mamas.


Familiar? Pois. Fácil não é, para a maioria. Amamentar implica abdicarmos da nossa independência, do nosso tempo, do nosso corpo. É bom, mas extenuante.
Nunca sabemos o que é estar na pele daquela mãe. Qual a sua personalidade? As suas experiências passadas? A sua tolerância à dor, à fadiga, à privação de sono. As suas expectativas. Os seus sonhos. A sua família, o apoio que tem em casa.

Porque é que não devemos deixar que as nossas opiniões guiem as nossas palavras e os nossos actos? Bem, porque não é mesmo nada da nossa conta. Nenhuma de nós sabe mesmo o que está a fazer, só há algumas que disfarçam melhor. E se há algo de que nunca devo duvidar é o amor de uma mãe pelo seu filho.

"Ah e tal, quando eles crescem as coisas melhoram." Sim, as suas capacidades de mamar em qualquer posição melhoram sem dúvida, qualquer dia até faz o pino! 
(e a privação de sono continua, não durmo de jeito vai para mais de 5 anos, não se vê pelos meus olhos?)

20 de julho de 2017

Não me faltava mais nada...

Fui ao Jumbo com os miúdos e estava na fila para a caixa com a mais nova ao colo. A garota estava cheia de vontade de ir para o chão e esperneava e reclamava e eu a tentar distraí-la, brincava com ela, abanava-a... o normal, portanto.
Não é que um tipo qualquer, que estava atrás de nós na fila, se vira para mim com ar superior e diz "Isso é mimo! Se chora é porque é mimo."
Olhei para ele, olhei para ela e ainda respondi que ela queria era andar no chão, ao que ele deu uma risada, meio resfolegada, meio condescendente, meio trocista....
Eu é que sou uma cobardolas e nunca sei com reagir na altura. Devia ser mais como a Júlia que tem sempre a resposta na ponta da língua:
- Ora peço desculpa, senhor-especialista-na-educação-da-minha-filha, como é possível ter três filhos e não saber que o problema de minha miúda de quase ano e meio é mimo! Muito obrigada pela sua preciosa informação, tão voluntariamente oferecida pela sua sapientíssima pessoa, vai-me ser extremamente útil na minha tarefa de educar três crianças, tarefa na qual estou obviamente a falhar.
Não querem lá ver esta...

Fiquei tão impressionada...

29 de junho de 2017

Espera... o quê?

O Xavier foi à casa de banho e a Ana foi atrás.
- Ana! Vai-te embora! Mããeeee! A Ana não sai daqui!!!

O karma é tramado, eu sei.

- Sabes, Xavi, tu fazia-me o mesmo. Andavas sempre atrás de mim, até quando eu tinha de ir fazer chichi.
- Oh, eu queria estar sempre no teu colinho. Tu és o aeroporto para o meu avião!

Ahm... o quê? Não sei se devo ficar derretida ou preocupada... Onde é que ela anda a ouvir estas coisas?!


16 de junho de 2017

Calças velhas, calções novos

Não tenho jeito nenhum para a costura. Mas gosto imenso de fazer upcycling, isto é, reaproveitar algo que já não serve para a sua função original.
Calças rotas nos joelhos é mato cá em casa. Estas já nem me valiam a pena remendar, que estavam curtas aos mais velhos e a Ana ainda vai demorar a precisar deste tamanho.
Peguei na tesoura e pronto. Nem chuleei nem nada, vão assim mesmo com as linhas, é fashion!
É que ando fartinha de só encontrar calções curtinhos para a Júlia, tão curtos que mais parecem umas cuecas. Aquilo para andar no escorrega magoa nas pernas! Assim, ficaram óptimos. E ela está muito confortável.
Com luz péssima e monstrinha que não quer ficar quieta, é a foto que se arranja

Agora ainda tenho mais dois pares de calças de ganga a precisar do mesmo tratamento... tenho a tesoura em pé de guerra! eheheheh

11 de junho de 2017

Momento Zen do dia #28

Há umas semanas estivemos num almoço de família. Depois do almoço, a maior parte do pessoal resolveu ir ao café e a dona da casa subiu ao andar de cima para ir buscar um casaco. Quando desceu, o resto da malta já tinha abalado. Meio a brincar, começou a queixar-se:
- Olha, deixaram-me sozinha, não esperaram por mim!
A Júlia, a olhar muito séria, não se conteve:
- Então não devias ter ido lá acima!


9 de junho de 2017

Modo zombi

A mais nova espertou às 5 da manhã. Não é comum, mas normalmente costuma adormecer depois de um pouco de brincadeira. Desta vez não. Rebolou, sentou-se, pôs-se de pé, mamou, mamou outra vez, deu pontapés, beliscões, enfiou os dedos nos nossos olhos e narizes... Cansei-me e coloquei-a na cama dela, faz barulho, mas pára de me bater.
A juntar-se à festa esteve a gata. O que é que ela quer? Areia mudada, água e comida, tem tudo, só se quer as unhas cortadas... Agora não, vai dormir, desgraçada!
Desde as 5 até às 8, hora de levantar, dormi cerca de 10 minutos. Levanto-me, mais cansada e dorida do que quando me deitei (como é possível?) e as duas continuam a fazer a festa.
Sem sono, continuaram, juntas, na palhaçada enquanto eu e o pai cuidávamos dos irmãos, tomávamos o pequeno-almoço, tratávamos das nossas coisas... A gata e ela, ela e a gata, a percorrerem a casa toda, numa dança divertida (para elas), espalhando ainda mais coisas no chão.
Peguei nela, mudei-lhe a fralda, dei-lhe mama e ainda assim não queria dormir. Mantive-a no colo e finalmente fechou os olhos, apenas para os abrir quando a deitei. A gata também veio, como para desafiar o sono.
Agora ela dorme e a gata não se vê. Deve ter ido dormir também. E eu... vou cuidar de tudo, como sempre, dormir não me é permitido há 5 anos. Quem tem filhos percebe bem porque é que a privação de sono é uma técnica de tortura. Se me deixassem dormir eu falava. Não sei o que querem que eu diga, mas eu falo. Digo tudo, mas deixem-me dormir!
Vou trabalhar. Bom dia.

22 de abril de 2017

11 de abril de 2017

Já lhe passámos o bichinho

Quando o teu filho te pede dinheiro para comprar um livro na feira do livro da biblioteca da escola. E volta para casa com o livro desejado e dinheiro de sobra. Fica entusiasmado quando lhe dizes que pode comprar mais com o dinheiro que ainda tem. E vai para a cama mais cedo só para poder ler.

Posso dizer que sim, sou uma mãe babada.


24 de março de 2017

Momento Zen do Dia #27

Quando cheguei à sala, o Xavier tinha ido buscar uma pera e estava a comê-la, sentado à beira do sofá e a fazer festas à gata.
- Então isso é assim, Xavier? A comer no sofá e a fazer festas à Hitomi?
- Então mãe, assim estou a passar-lhe vitaminas!

21 de janeiro de 2017

Có?

A ver A Bela e o Monstro, na cena em que o mordomo/relógio faz uma visita guiada ao castelo e refere o estilo rococó:
Xavier: O quê?
Júlia: Rococorócocóóó!


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