6 de setembro de 2016

À terceira foi de vez

Foi desta!
Tinha deixado a Ana na manta no chão e pedi aos irmãos que tomassem conta dela para eu acabar o almoço.
Passado um bocado, ouço-a chorar e a Júlia vem-me chamar, que a mana virou o vaso.
O vaso? Qual vaso?
Então a monstrinha virou-se e rastejou até uma planta, onde se serviu de terra.
Terra nos braços, terra nas mãos, terra na boca.
Foi preciso ter o 3º filho para saber o que é ter um bebé a comer terra.

(Nota: limpei-a, boca incluída, e espero o espectáculo que vai ser uma fralda dela daqui a umas horas)
(Nota nº2: acho que a planta vai sobreviver)


23 de agosto de 2016

Hora da sesta

A tua bebé tem estado agitada. Será algum dente a querer romper? Muito coçam aqueles dedinhos na gengiva. Dormir está difícil, mas tem tanto sono. Passas a tarde a dar de mamar, a mudar a fralda, a embalar, e repetes.
Pediste aos mais velhos para não fazerem barulho, para nem sequer irem ao quarto onde estás a tentar adormecê-la.
Eis que os olhos se fecham. Um suspiro. O corpo relaxa. Esperas com paciência mais um bocadinho, para entrar mais profundamente naquele soninho tão esperado. É agora, levantas-te com todo o cuidado, deita-la com muito jeitinho, susténs a respiração quando ela parece rabujar (falso alarme, continua a dormir). Preparas-te para te virares e é então que os ouves: os passos. Oh não...

MÃE, PRECISO DE...

Ainda levas um dedo à boca, num xxiiiuuuuu silencioso, mas é tarde demais.
Quando olhas para a miúda, deparas com uns olhos bem abertos, um sorriso tonto e um espernear frenético.

Hoje é dia de bater com a cabeça nas paredes.

19 de agosto de 2016

O susto

Ela subia e descia as escadas sem parar.
- Olha que ainda cais! - dizia a avó.
Desviei o olhar do fundo da rua onde estava o pai e já só vi os pés dela no ar.
- Pronto! Eu não disse! Eu sabia! (...)
Afastei-os a todos e contornei as escadas para a encontrar de pé, sem uma lágrima, mas com a voz trémula. "Ao menos agarrei-me" disse ela, a fazer-se forte.
Peguei nela ao colo e levei-a para dentro, tentando afastá-la do barulho, do "eu já sabia". O coraçãozinho dela parecia um tambor contra o meu peito.
- Até nos salta o coração do peito! - a gritaria veio atrás de nós, mas eu abraço-a mais forte. Ela não precisa de lições, ela não tem de pedir desculpa.
O maior susto foi o dela.
- Está tudo bem, já passou.
E ela relaxa, agarrada a mim, sem uma lágrima, suspira enfim. Está tudo bem, já passou.


7 de agosto de 2016

Momento Zen do dia #25

Estava a sair do duche quando o Xavier entrou na casa de banho. Olhou para mim enquanto eu me secava e vestia. E do alto da sua sabedoria, sentenciou:
- Ó mãe, estás um bocado gordinha.
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